Eu vi o homem chorar, O gado morrer, A terra secar. O homem chorava, O gado morria, A terra ardia. O político tecia, O atleta a correr, A pátria a olhar. O homem orava, O gado diminuía, A terra água pedia. O homem a lamentar O gado a apodrecer A terra a fenecer O repórter questionava O partido desviava A família reduzia O homem os olhos erguia O gado carcará comia A terra deserto tornava Viver sem sorte A beira da morte É sina no norte O homem a Deus obedecia O gado já não existia A terra petrificava O jornal mostrava Ninguém ligava O ciclo seguia.
Era tarde naquele dia e chovia torrencialmente. Quem imaginaria que uma chuva daquelas iria cair em pleno carnaval? Coisas de São Pedro e do pessoal lá de cima. Deviam ser contra o povo se divertir por tantos dias seguidos. Era um povo sofrido, que só tinha uma semana como aquela no ano e tudo, afinal, terminava na quarta-feira. Nilzinha era menina ali da região e havia saído para a capital logo que completou quinze anos, sua madrinha havia cumprido a promessa de leva-la para estudar na cidade grande. Ela poderia estudar para ser professora e depois voltar para trabalhar na escola da roça, ajudando sua velha mãe que deu o duro para cuidar dela e dos quatro irmãos sozinha. Isso ela havia prometido para a mainha, desde muito pequenina, logo que o pai, aquele traste, havia ido embora, abandonando a família em meio à seca. Dos quatro irmãos com quem cresceu, Tonico era falecido – menino bom era aquele – a vida parece que não gosta...
De sorriso franco e de bem com a vida, esse é o garoto que fui e que sou. Quem me conhece, sabe que e fácil saber o que estou sentindo, sou transparente e sou também alguém que se entrega aos amigos, aos amores que tenho e que já tive. Resumindo, sou apenas um rapaz (nem tão rapaz assim) latino americano.
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